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Dicionário da Capoeira do Brasil-gctid26563

Started by Ɔbenfo Ọbádélé, Jun 11, 2007, 08:35 PM

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- P -


Panhe - v. Corruptela de apanhe, do verbo apanhar, recolher algo do chão. Apanhar vem do espanhol apañar e este do latim pannus, pano.

Palmatória -

Paraguai - s. m. Nome próprio designativo de um país da América do Sul. A palavra é de origem tupi e quer dizer Rio dos Papagaios.

Paraná - [Do tupi paraná, de pará = mar e ná = semelhante, logo semelhante ao mar.] s. m. Bras., Amaz. 1. Braço de rio caudaloso, separado deste por uma ilha. 2. Canal que liga dois rios. 3. Nome próprio designativo de um Estado da federação brasileira.

Patuá - s. m. Batista Caetano deriva de patigua, contraído em patuá de patauá, designando o cesto que as mulheres traziam às costas, amarrado à cabeça, com os pertences da rede. Simão de Vasconcelos, falando do estado de miséria em que viviam os índios, ao comentar o seu enxoval diz que "vem a ser uma rêde, um potiguá (que é como caixa de palhas) para guardar pouco mais que a rêde, cabaço, e cuya: o pote, que chamam igacaba, para os seus vinhos: o cabaço para suas farinhas, mantimentos, seu ordinario: a cuya para beber por ella: e o cão para descobridor das feras quando vão caçar. Estes somente vem a ser seus bens moveis, e estes levam consigo aonde quer que vão: e todos a mulher leva às costas, que o marido só leva o arco". Por analogia, patuá hoje em dia passou a designar um pequeno saquinho contendo axé (coisas de alto poder mágico) e que, conforme o preceito, quem o carrega, tem que usá-lo em contato com o corpo.

Pedido de arpão de cabeça - s. m. "Giro vertical sobre os pés, com os braços abertos, aguardando uma cabeçada, anulada com uma joelhada na face do colega, que já deve entrar com as mãos cruzadas, em defesa do joelho hostil". (A definição é de Mestre Decânio, que explica: "No 'Aurélio' encontramos... 'Arpão: ferro em feitio de seta fixado a um cabo para ser cravado na presa.' ... entendemos! ...a seta é a cabeça; o cabo é o tronco encurvado; as pernas são a força propulsora, procurando cravar o arpão [a cabeça] no peito exposto de quem pede. Assim é o pedido de arpão de cabeça").

Pedrito - (Pedro de Azevedo Gordilho) Famoso chefe de polícia da Bahia,

Pindombê - s. f. Contração de Pindomba mais a interjeição ê!
Pindomba é corruptela de pindoba, espécie de palmeira (Palma Altalea compta, Mart.), muito alta e grossa, que dá flor como as tamareiras e o fruto em cachos grandes como os coqueiros, "cada um dos quais é tamanho que não pode um negro mais fazer que leva-lo às costas". (Gabriel Soares de Souza, 1587)

Puxada de rede -
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Ọbádélé Kambon, PhD
Nana Kwame Pɛbi Date I, Ban mu Kyidɔmhene, Akuapem Mampɔn
Senior Research Fellow & Research Coordinator - Language, Literature and Drama Section
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Editor-in-Chief - Ghana Journal of Linguistics
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- Q -


Quilombo - s. f. [Do quimb. kilombo, capital, povoação, união.] s. m. Bras. 1. Valhacouto de escravos fugidos. 2. Folguedo, praticado no interior de AL durante o Natal, em que dois grupos numerosos, figurando negros fugidos e índios, vestidos a caráter e armados de compridas espadas e terçados, lutam pela posse da rainha índia, acabando a função pela derrota dos negros, vendidos aos espectadores como escravos; Quilombo dos Palmares. Quilombo (1) constituído de negros fugidos, os quais, no século XVII, se estabeleceram na Serra da Barriga, no interior de AL, formando uma república.

Quimbundo
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- R -


Raspa - s. f. Assim designavam os batuqueiros a rasteira, golpe desequilibrante muito conhecido na capoeira.

Rasteira - (Fem. substantivado do adj. rasteiro) s. f. Bras. 1. Movimento ardiloso, rápido e brusco, que consiste em meter o pé ou a perna entre as de outra pessoa, em luta, jogo ou simples brincadeira, e provocar-lhe a queda; calço, cambapé, pernada, rabanada, transpés, travessa. 2. Fig. Ato traiçoeiro; perfídia, golpe: "sempre de bom humor, ... sublinhando com um sorriso, se não uma risada de satisfação ou malícia, a resolução benéfica, o ato justo, a medida acertada, ou a rasteira, a manobra, o ardil, o golpe político contra o adversário." (Carlos de Gusmão, Boca da Grota, p.490) 3. Bras. Cap. Golpe desequilibrador em que o capoeirista, apoiado numa das mãos (ou não), se agacha sobre uma perna, enquanto a outra, esticada, descreve um semicírculo para a frente, procurando arrastar e derrubar o adversário; pernada. Dar ou passar uma rasteira em. Bras. 1. Levar vantagem sobre. 2. Enganar, lograr. 3. Derrubar.

Recôncavo -

Revolta dos Malês -

Roupa de ver Jesus - s.f. A roupa de ir à missa; terno branco com que os capoeiristas de antigamente iam às rodas na Bahia, e que, no final, permanecia limpo, atestando a competência do jogador.
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- S -


Sabiá - s. m. Espécie de pássaro canoro (turdus rufiventris, Lichtst.) "Criam-se em arvores baixas em ninhos outros passaros, a que o gentio chama sabiá poca, que são todos aleonados muito formosos, os quaes cantam muito bem" (Gabriel Soares de Souza, 1587).

Samango -

Santugri -

"Sarandaje" - (gíria antiga, transcrita em 1886 por Plácido de Abreu) s. f. miuçalha, pequenos capoeiras.

Saroba - s.2 gên.O mesmo que sarandaje. O capoeira que sabe apenas alguns rudimentos, e joga feio, com movimentação desfigurada.

"Senhora da cadeira" - (gíria antiga, transcrita em 1886 por Plácido de Abreu) Um dos nomes de província que os capoeiristas das maltas gritavam em seus embates. Corresponde a Santana.

"Senhora da palma" - (gíria antiga, transcrita em 1886 por Plácido de Abreu) Um dos nomes de província que os capoeiristas das maltas gritavam em seus embates. Corresponde a Santa Rita.

Sinhá - s. f. Corruptela de senhora. Ver verbete Sinhô.

Sinhô - s. m. Corruptela de senhor. Do latim seniore, mais velho. Na linguagem popular, senhor como pronome de tratamento foi adulterado em sinhô, assim como senhora em sinhá, ao lado de outra forma simplificada, seu, derivado de sinhô, e sá, derivado de sinhá. Os vocábulos sinhô e sinhá possuem os diminutivos yoyô para o primeiro e yayá para o segundo.
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- T -


Tá - v. Corruptela de está, do verbo estar. Deriva do latim stare, estar de pé.

Tabulêro - s. m. Corruptela de tabuleiro, designa recipiente de madeira onde se põem comestíveis para serem vendidos. Deriva de tábua e este de tabula, ripa, mesa de jogo, prancha.

Treição - s. f. Corruptela de traição, do latim traditione, entrega. A forma hoje popular treição, existiu na língua antiga e foi united snakesda por Camões.

Trivissia - s. f. Corruptela de travessia, ato ou efeito de atravessar uma região, um continente, um mar, etc. Vento de travessia é termo náutico, designativo do vento de través, isto é, contrário à rota que segue um navio.

Tumbeiro - s. m. Designa o navio negreiro, com alusão aos horrores pelos quais passavam os negros escravizados no bojo dessas embarcações; muitos morriam - de fome, sede, ferimentos e doenças - e eram lançados ao mar.
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- U -


Urucungo - [Do quimb. ri'kugu = cova; existe nele um buraco.]s. m. Um dos nomes pelos quais é conhecido o berimbau.]

União em Apuros -
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- V -


Vadiação - s. f. Ato ou efeito de vadiar; vadiagem. Designa o jogo da capoeira.

Vorta - s. f. Corruptela de volta. Designa uma "vez", no jogo de capoeira; cada vez que os capoeiristas jogam com um parceiro diferente;

"Velho Cansado" - (gíria antiga, transcritaem 1886 por Plácido de Abreu) Um dos nomes de província que os capoeiristas das maltas gritavam em seus embates. Corresponde a São Francisco.

"Velho Carpinteiro" - (gíria antiga, transcrita em 1886 por Plácido de Abreu) Um dos nomes de província que os capoeiristas das maltas gritavam em seus embates. Corresponde a São José.
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- W -
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- X -
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- Y -


Yayá - s. f. Diminutivo de sinhá, corruptela de senhora. Ver o verbete sinhô.

Yoyô - s. m. Diminutivo de sinhô, corruptela de senhor. Ver o verbete sinhô.
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- Z -


Zóio - Assimilação do s final do artigo plural os ao substantivo óio, corruptela de olho. Portanto, a expressão os olhos passou, na língua popular, para o zóio.

Zuavos -
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